domingo, 5 de setembro de 2021

KonoSuba

 KonoSuba | Enredo
KonoSuba conta-nos a história de Kazuma, um jovem viciado em videojogos que teve uma morte pouco digna. Ao passar para o lado de lá, Kazuma encontra a deusa Aqua que lhe faz uma proposta curiosa. Ele poderia optar entre ir para o céu – um lugar deveras aborrecido segundo a deusa – ou ser teletransportado para uma realidade alternativa.

Essa realidade alternativa seria um mundo bem parecido com um jogo RPG, logo Kazuma iria divertir-se bastante. Caso o otaku aceitasse a proposta este poderia levar consigo qualquer item que desejasse. Num ato de astúcia, o jovem pede para levar consigo Aqua. Esta ri-se da ousadia dele e nega. Nesse momento, outra deusa aparece e teletransporta-os para o mundo, deixando Aqua sem alternativa.

Agora Kazuma terá de viver nesta realidade até conseguir matar o Rei Demónio. Contudo, se Aqua antes possuía a postura digna de uma deusa, agora parece uma criança de cinco anos que apenas consegue chorar e fazer exigências sem nexo.

Como se isso não bastasse para infernizar a vida do protagonista, ao contrário do que seria de se esperar, neste “jogo” os iniciantes não têm ajuda. Não têm dinheiro ou direito a regalias. Sendo assim, a única opção da dupla é juntar-se a uma guild e tentar assim subir o seu nível. Porém, sem poderes ou habilidades, revela-se realmente difícil derrotar até os inimigos mais fracos. Então, Kazuma decide tentar recrutar jogadores para a sua pequena equipa. E engane-se quem pense que isso foi a solução para todos os problemas. As duas mulheres que se juntam à aventura são quase tão inúteis como Aqua. E assim, o nosso herói tenta enfrentar os perigos de um mundo desconhecido acompanhado de três “guerreiras” fracassadas e com técnicas de luta peculiares.

A verdade é que KonoSuba foi um dos animes que mais passou despercebido antes da estreia. O estúdio por de trás da obra não inspirava grande confiança, sendo assim ninguém criou hype ou prestou muita atenção na série. E ainda bem que assim foi. Quando expectativas não são criadas a probabilidade de desilusão é bem menor. Contudo, logo no primeiro episódio, KonoSuba conseguiu surpreender e mostrar o porquê de se tratar de um anime de comédia.

KonoSuba é isso mesmo. Um anime leve e divertido que usa a comédia de modo brilhante. Não existem de facto cenas sérias. Quando acontece algo mais profundo e tu pensas que a história vai finalmente apresentar algum dilema crítico, tens duas opções:
– Alguma coisa completamente inusitada e ridiculamente parva acontece. Até hoje tenho a teoria do autor ter escrito a Light Novel sobre o efeito de álcool;

– A Aqua dá uso à inteligência que não tem e qualquer sentimento e empatia que tinhas com o drama da personagem vai pelo cano a baixo;

Pessoalmente, houve momentos em que eu não sabia se ria ou se ficava com cara de paisagem a olhar para o ecrã. No primeiro episódio tu divertes-te imenso e achas que o anime não pode elevar o nível de comédia tosca, mas acredita em mim: pode e vai. E isso acaba por ser outro ponto forte do anime. O facto de sermos surpreendidos a cada episódio que passa, a maneira original como as personagens são introduzidas, o decorrer das aventuras e as peripécias estapafúrdias dos protagonistas são fatores a louvar. Depois de se assistir o anime inteiro compreende-se perfeitamente a forma inteligente como cada elemento foi estrategicamente colocado de forma a interligar todos os componentes da comédia.

Realmente o anime não trás conceitos muito inovadores, no entanto nenhuma outra obra de RPG/Jogos utilizou a comédia de um modo tão exuberante outrora. Normalmente este tipo de animes são palco de lutas e de confrontos épicos. KonoSuba por sua vez mantém o foco numa aventura de sobrevivência com personagens retardadas.
Um dos grandes segredos da obra é o facto de haver sempre alguma coisa acontecer. Raramente existem momentos de longas explicações ou entediantes conversas. Sejamos sinceros, não estamos propriamente presentes a um enredo complexo que exija muitos esclarecimentos.

A arte/animação de KonoSuba não é medíocre. Contudo o Studio Deen não é propriamente o melhor estúdio da atualidade, sendo KonoSuba um dos mais recentes sucessos da produtora. O nível técnico da obra fica um pouco aquém da maioria dos animes da sua temporada. Porém, as cores são vibrantes e a animação consegue ser fluída. O design das personagens é bem bonito visualmente e os ambientes de um RPG medieval são interessantes. Mesmo não reconhecendo o primor do anime neste quesito, continuo a considerá-lo esteticamente apelativo.
A banda sonora do anime é excelente. A própria abertura foi considerada, segundo os fãs japoneses, a melhor da temporada. Pessoalmente acho que foi um título merecido. A escolha das músicas que orquestram os episódios dão ênfase à comédia e adequam-se às cenas. O que a obra pecou a nível visual, aplicou na sua banda sonora.

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